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O que esperar de um IPO? PDF Imprimir E-mail
Escrito por Administrator   
Ter, 10 de Agosto de 2010 20:12

A Internet mudou o mundo para sempre!

 

No final dos anos 90, uma nova sigla entrou no dia-a-dia das pessoas. Três letras que, no imaginário popular, podem transformar uma idéia num negócio milionário. Sim, este é o assunto: IPO. Muitas vezes, ouvimos histórias fantásticas a respeito de IPOs milionários de empresas. Todo mundo fala de IPO, mas muito pouca gente entende do que se trata.

 

Nosso objetivo, neste artigo, é explicar um pouco melhor o conceito e – quem sabe – estimular algumas empresas promissoras a buscarem esta forma de capitalização. Esperamos que, ao desvendar o mistério da IPO, possamos, de algum modo, estimular a algum milionário, ainda embrionário,  a embarcar nessa interessante jornada.

 

Em primeiro lugar, IPO significa Initial Public Offering (Oferta Pública Inicial). Trata-se da primeira venda de ações de uma empresa ao público, uma das formas mais interessantes para levantar recursos. É também o ápice de um processo de preparação iniciado alguns meses antes da grande estréia numa bolsa de valores.

 

É uma forma importante de provar que a empresa alcançou maturidade como negócio, investimento, atividade econômica e governança corporativa. Com essa listagem e uma estratégia bem desenvolvida para informar ao mercado sobre as vantagens que apresenta, a empresa listada obterá os necessários recursos para capitalização, expansão e maior rapidez no alcance de metas e prioridades.

 

E quais seriam as vantagens de uma oferta pública? A abertura de várias oportunidades financeiras, uma vez que o escrutínio de uma empresa pública melhora sua capacidade de endividamento, seja por meio de empréstimos ou até do lançamento de mais ações. Também facilita a possibilidade de fusões e aquisições no futuro, com a troca dessas ações por outras, oferecendo-as até mesmo aos empregados para que melhorem a motivação e o nível de produtividade global da empresa, com a possibilidade de atrair melhores talentos no mercado de trabalho.

 

Agora, chegar ao dia da listagem em bolsa é um processo contínuo e – porque não dizer – um tanto exaustivo, particularmente para a Alta Gerência da empresa, nomeadamente o Presidente e o Diretor Financeiro.

 

Tudo começa com a conhecida due diligence. Trata-se de uma “ressonância magnética” – para falarmos numa linguagem mais precisa – da empresa, verificando-se o passado, seus esqueletos no armário, e a capacidade de o plano de negócios ser adequado àquilo que a empresa já apresentou como resultados, a perspectiva econômica, financeira, legal e contábil.

 

A due diligence possibilita a empresa obter um diagnóstico de sua situação atual, com a possibilidade de recuperá-la e fazê-la passar por um período de cuidado intensivo e deixá-la apta ao grande dia de sua estréia no mercado. Logo, é importante saber, já no princípio, que cerca de 40% das empresas que decidem fazer o seu IPO gastam mais tempo do que o imaginavam ser necessário inicialmente. Isso se deve basicamente a fatores como, por exemplo, um cronograma irreal das ações a serem implantadas, modificações no mercado da empresa e global, a complexidade dos registros financeiros requeridos e os “cadáveres” descobertos durante a due diligence.

 

Logo, a primeira coisa a ter-se em mente é que o montante de tempo e recursos a serem empregados devem ser cuidadosamente analisados, com a designação dos melhores profissionais como equipe responsável pela tarefa de levar a empresa ao estágio de lançamento. Embora seja um processo árduo, é importante que a equipe entenda claramente que o fruto de um trabalho bem elaborado levará a um maior sucesso na estratégia implementada. Será uma mudança de paradigma para muitos, em razão dos novos níveis de compromisso a serem assumidos pela empresa, posteriormente, mas, certamente, será um processo que tais profissionais repetirão continuamente ao longo de suas vidas profissionais, na medida em que mais e mais empreendedores iniciam novos negócios. Quanto mais desenvolvido se torna o Brasil, maior será o número de empresas que buscarão ser listadas em bolsas de valores.

 

Considerando o objetivo de alcançar-se valioso resultado no IPO, os recursos financeiros, legais, laborais e de tempo devem ser muito bem calculados, utilizados e disponibilizados ao longo do processo. Um excelente planejamento evitará custos excessivos no curto, médio e longo prazo. Recursos adicionais e extras devem ser contratados, quando os problemas não se conseguirem resolver internamente.

 

Um aspecto importante a ser considerado é a elaboração de um plano de negócios verdadeiramente campeão. Nele deverão constar as dificuldades e desafios que a empresa enfrentará no curto, médio e longo prazos, porém com uma expectativa de crescimento contínuo. Cada vez mais, é essencial que as empresas cresçam. Esse é um fator determinante para a própria valorização do negócio.

 

Com um excelente Plano de Negócio embaixo do braço e uma due diligence bem realizada, com os assuntos resolvidos, chega o momento do conhecido “road show”. E é literalmente isso… Um show na estrada… Trata-se de uma oportunidade única de marketing da empresa, apresentando a investidores em potencial a grande oportunidade que será investir na empresa. Obviamente é um processo exaustivo. Particularmente, quando o executivo tem dificuldade de falar em público. No entanto, é uma oportunidade de ouro para os principais executivos e conselheiros apresentarem a empresa na sua melhor forma e dizer o porquê de ser ela um grande investimento.

 

Deve-se ter claro, desde o princípio, de que a empresa jamais será a mesma. O IPO não é um fim em si mesmo, encerrado após um processo de ajustes durante um semestre. O fato de a empresa tornar-se listada a sujeitará a constantes e novas demandas na Alta Gerência, o que poderá implicar numa necessidade de aumento da mão-de-obra, com a contratação de pessoal permanente para áreas tais como relacionamento com o investidor, finanças e desenvolvimento de novos negócios.

 

Para um IPO de sucesso, cremos que estes são alguns dos requisitos básicos. Reprisando, não se deve esquecer que algumas coisas podem melhorar o resultado financeiro da estréia: due diligence minucioso, excelente plano de negócios e um plano de marketing imbatível.

 

Temos observado que as melhores histórias de sucesso foram empreendidas por empresas que aplicaram o que nos apelidamos de “5 Ps do Sucesso no IPO”: Preparação Prévia Previne Performance Pífia!

 

Ao serem implementados esses princípios de performance, os resultados demonstraram que o sucesso, com um pouco de sorte, como diria Margaret Thatcher, torna-se quase iminente.

 

A pergunta então após esses preparativos é a relativa ao local para listagem. Um lugar muito atrativo, nos últimos tempos, para abertura e listagem tem sido a Bolsa de Valores de Londres. Ao analisar-se da perspectiva de custo-benefício, a Bolsa de Londres tem apresentado algumas vantagens relevantes em relação às de Nova Iorque:

 

  1. Londres possui uma excelente reputação quanto à regulamentação e governança corporativa;
  2. Londres tem o mercado mais líquido na Europa, com rápido crescimento.
  3. As regras são mais simples, flexíveis e rápidas; e,
  4. Há maior flexibilidade na regulamentação das empresas entrando no mercado.

 

 

Anteriormente, Wall Street era o principal destino dos IPOs. A partir de 2001, a Bolsa de Valores de Londres deu um salto enorme no volume de negociações de IPOs, tornando-se a principal bolsa neste segmento.

 

Este resultado está diretamente ligado à Lei Sarbanes-Oxley, de 2002, quando escândalos recentes de companhias norte-americanas (WorldCom, Enron, Adelphi, Tyco etc.) resultaram numa perda significativa na confiança da divulgação das demonstrações contábeis. Essa lei obriga maior rigor na fiscalização, por parte do governo dos Estados Unidos, quanto aos demonstrativos contábeis das empresas, o que acarreta maiores custos. Por isso, muitas empresas resolveram trocar Nova Iorque por Londres, onde encontraram uma alternativa muito mais vantajosa.Ademais, a Bolsa de Londres tem-se mostrado confiável e robusta no volume negociável de ações, o que gera muito maior credibilidade e confiança por parte dos investidores.

 

Nossa experiência profissional em IPOs têm-nos levado a recomendar Londres como uma opção a considerar-se seriamente, no processo de internacionalização de muitos de nossos clientes.   Afinal, não é todos os dias que um novo milionário pode sonhar em tomar o Chá das Cinco com a Rainha da Inglaterra!

[1] Marcus V. Freitas, sócio do escritório Cerqueira Leite Advogados Associados, é professor de Direito e Relações Internacionais na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP). Formado em Direito pela Universidade de São Paulo, com mestrados em Direito, Economia e Relações Internacionais pela Cornell University e School of Advanced International Studies (SAIS), da Johns Hopkins University, respectivamente.  E-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

 

 

Karl Arthur Bolliger Vieira é graduando do curso de Relações Internacionais da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP).  E-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.