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Na crise, a receita é uma só: Empreender e Aperfeiçoar PDF Imprimir E-mail
Escrito por Administrator   
Ter, 10 de Agosto de 2010 20:10

Recentemente estive envolvido num processo muito interessante de internacionalização de uma empresa brasileira que desenvolveu uma série de “softwares” que passam agora a ser utilizados por empresas internacionais. Trata-se de uma história muito interessante de desenvolvimento de algo que muitos sempre criticaram pelo fato de não ser exatamente igual àquilo produzido no Exterior.

Esta experiência me demonstrou, uma vez mais, que o espírito criativo do brasileiro pode ser reconhecido internacionalmente. Claro que o produto tem que ser interessante e, mais importante ainda, ser extremamente funcional. Inicialmente, apelidávamos o “software” desenvolvido pela empresa de “Saci-Pererê”. Era feinho, meio defeituoso, com alguns problemas, enquanto do concorrente era chamado de Rambo, pois era forte, boa pinta e com poucos defeitos. Descobriu-se, no entanto, com o passar do tempo que o “Saci-Pererê” conseguia ser muito mais efetivo e marcar gol, sem cair. Já o Rambo, não tinha as mesmas funcionalidades. Nem sempre o que é mais agradável aos olhos é o mais funcional ou lucrativo.

Assim, o grande desafio da inovação sem dúvida reside na sua funcionalidade e o respectivo valor comercial. Como já disse anteriormente, se é funcional, porém sem valor comercial, é algo bom para se guardar em casa ou num livro de anotações de idéias. Quem sabe na próxima vida possa ser útil?

Agora, a inovação necessariamente está associada a um espírito empreendedor. Afirmo, sem qualquer dúvida, que para ser inovador, deve-se buscar o espírito empreendedor. Enxergar algo além da realidade óbvia e, como diria George Bernard Shaw, perguntar-se: por que não?

Isso começa pelas pequenas coisas. Observar cada detalhe e tentar melhorar. Creio que não há melhor exemplo de busca de inovação do que aquela revista Sky Mall que tem na American Airlines. Impressiona-me a quantidade de coisas que as pessoas conseguem pensar para facilitar a vida. Algumas, obviamente, são hilárias. Mas outras, quando se pensa, são muito úteis. Eu sempre me pergunto: Quem foi o primeiro indivíduo que teve a idéia de comer jaca? Comeu porque quis? Será que a jaca caiu na cabeça dele e ele não morreu? Ou será que a necessidade o fez observar algo que lhe era desconhecido?

Creio que ai está a grande fórmula para a inovação diária, seja na criação de novas coisas ou processos.

O Brasil atravessará num curto espaço de tempo por dificuldades em razão da crise que se abateu nos Estados Unidos. Não há como impedir que isso ocorra, afinal, a crise de crédito que se abaterá sobre o mercado certamente afetará muitas das atividades empresariais, e projetos terão de ser temporariamente adiados ou até mesmo eliminados. A crise financeira provavelmente tirará o tapete dos pés de um grande número de pessoas enquanto aqueles que estiverem melhor equipados conseguirão sobreviver nesse mundo que se derrete economicamente.

O que fazer?

A receita é uma só: Empreender e aperfeiçoar.

Recentemente li esta frase de um líder religioso que me deixou extremamente impressionado:

“A alegria ou desespero do amanhã tem as suas raízes nas decisões que tomarmos hoje. Talvez alguns pensem: “Eu sei que preciso mudar algumas coisas na minha vida”. Talvez mais tarde, não agora. Mas aqueles que se encontram no limiar da vida sempre esperando pelo momento de mudar são como o homem que fica na margem do rio esperando a água passar para que possa cruzar em terra seca. Hoje é o dia da decisão!” (Joseph B. Wirthlin)

Creio que uma época de crise – como a que enfrentaremos – implicará a tomada de decisões radicais. A mais importante será a de permitir que a inovação floresça nas atividades de sua empresa.

Logo, não vai adiantar ficar sentado esperando. O segredo é parar, pensar, empreender e construir. Olhe cada coisa, canto ou processo e pense: É isto o melhor que se pode fazer neste sentido? Você vai ver como pode melhorar muito.

Concluo com uma história do ex-Secretário de Estado norte-americano, Henry Kissinger. Conta-se que ele havia contratado um jovem muito talentoso a quem pediu que preparasse um estudo sobre uma matéria muito relevante de política externa. O jovem trabalhou por dias. Trouxe-lhe o relatório. Kissinger pediu-lhe que deixasse o material sobre a mesa. No dia seguinte, perguntou ao jovem: “Este é o seu melhor?”. O jovem pensou e disse que iria refazer. Passou algum tempo, entregou o novo relatório, deixando-o com Kissinger. Passadas algumas horas, Kissinger o chamou à sala e lhe perguntou novamente: “Isto aqui é o seu melhor?”

O jovem levou o trabalho. Passou horas e horas debruçado revisando tudo. Perdeu noites. Ao final, entregou o relatório para o Secretário de Estado. Kissinger pegou o documento e perguntou: “Isto aqui é o seu melhor?” Ao que o jovem respondeu: “Senhor Secretário, sim, este é o meu melhor!” Então, o velho e sábio estrategista respondeu: “Ah, então, agora eu finalmente posso ler!”

Pare e pense: não há coisas no seu dia-a-dia que poderiam ser muito melhores?

Se há, pode começar. Hoje é o dia da decisão!