| Janelas de Oportunidade |
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| Escrito por Administrator |
| Ter, 10 de Agosto de 2010 19:03 |
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Tive, recentemente, a oportunidade de ir à cidade polonesa de Poznán, palco de diversas disputas ao longo da história nas várias guerras que assolaram aquela parte da Europa. Confesso que fui agradavelmente surpreendido pelas melhorias que têm sido implementadas e como se respira um novo ar no Leste Europeu, que tanto sofrera durante a Guerra Fria e o domínio comunista. Ao observar mais profundamente a situação e dialogar com os cidadãos locais, notei, no entanto, certa frustração com as promessas não cumpridas do capitalismo quanto à maior prosperidade, liberdade e bem-estar. Não há que se contestar que a situação melhorou muito nestes três aspectos. No entanto, encontra-se a situação, ainda, muito aquém daquilo que poderia ser ou alcançar. A velha expressão “janelas de oportunidade” parece ser apropriada ao caso. As oportunidades podem surgir ou ser criadas. Obviamente, aquelas que são criadas tendem a ser mais compensatórias do ponto-de-vista financeiro. Ainda assim, aquelas que surgem também oferecem elevados níveis de retorno. Momentos surgem na vida de indivíduos e países que permitem maior desenvolvimento e crescimento. Estes períodos, no entanto, tendem a ser relativamente curtos, em razão do elevado nível de competitividade global. No caso do Leste Europeu, o ocaso comunista representava a esperança do recebimento de inúmeros recursos para a reconstrução dos países da Cortina de Ferro. E assim foi, de fato, com investimentos massivos realizados na região. No entanto, o lapso de tempo foi muito menor do que o esperado. Ao mesmo tempo em que a Cortina de Ferro esvanecia, outra Cortina, a de Bambu, ao observar o fenômeno da derrocada soviética, decidiu implantar uma série de reformas jamais vista na sua história, passando a atrair investimentos cada vez maiores no processo de sua inserção mundial. A Índia, também, acordou e passou a buscar espaço no contexto global. Ambos – China e Índia – passaram a ser os maiores absorvedores dos investimentos, ante a promessa do enorme potencial de seus vastos mercados consumidores. E qual foi o resultado? A janela de oportunidade do Leste Europeu, que antes parecia destinada a ser de longa duração, ficou aberta por um período relativamente curto. Tivesse o regime comunista colapsado dez anos antes, a situação certamente não seria a mesma e a China, talvez, não se teria transformado na grande potencial global que é atualmente, obrigando-a a adotar uma marcha mais lenta no processo do crescimento de sua relevância global. Conjecturas prováveis ante o cenário global do período e olhando-se a história através de um retrovisor. O Brasil passa por um momento semelhante. A situação, em razão do histórico processo dos últimos anos, transformou o País num mercado atraente para investimentos estrangeiros numa economia estável. Também a descoberta de vastas reservas de recursos petrolíferos, nos últimos anos, tem aguçado o interesse no futuro crescimento. As perspectivas são espetaculares. No entanto, como utilizá-las de modo a transformar, efetivamente, o Brasil numa potência mundial constitui o maior de todos os desafios, porque, se utilizados inapropriadamente, corremos o risco de perder a janela de oportunidade que se abriu. Num momento histórico de eleição, qual deve ser o tema central dos candidatos em suas agendas políticas, com o intuito de efetivamente beneficiar o Brasil? Quais são os nossos calcanhares de Aquiles para que o País cresça e assuma um papel de relevância no cenário internacional? Tenho para mim que há dois problemas fundamentais que precisamos resolver: a falta de infraestrutura e corrupção. Ao caminharmos pelas ruas de São Paulo e observarmos as obras de recapeamento atualmente realizadas pela Prefeitura, observarmos um determinado desleixo do Administrador Público em realizar uma obra que possa durar mais do que uns poucos anos. Em qualquer parte do mundo, qualquer pavimento público presume uma camada relativa de cimento, colocando-se o asfalto ao final. O que se nota em São Paulo é uma fina camada de asfalto sobre uma camada fina de cascalho. Isto é a receita dos buracos permanentes da cidade. Cito o asfalto de São Paulo como mero exemplo dos inúmeros problemas de infraestrutura que afetam o Estado Brasileiro, desde os nossos Aeroportos (ou a falta deles), portos, rodovias, ferrovias, hidrovias, a até mesmo o enorme trabalho que ainda precisa ser realizado para integrar o País. Isto também passa pelo próprio sistema educacional. A nossa questão de infraestrutura não é somente a física, mas também intelectual. Para um país que almeja ser uma das cinco maiores economias do mundo em 2030, muito há que melhorar na qualidade do ensino brasileiro. Nas várias classificações internacionais, as melhores universidades brasileiras se encontram em posições ainda muito aquém da excelência que precisam alcançar. Se o Brasil quer, de fato, tornar-se uma potência mundial, a solução passa pelos bancos escolares e pela efetiva melhoria do ensino brasileiro, em todos os níveis. Nossa infraestrutura física é um desastre. Ao chegar no Aeroporto de Guarulhos, a espera para passar pela imigração era de, aproximadamente, duas horas. Isto é imperdoável e nem em minhas visitas aos cantos mais remotos do planeta passei por este tipo de situação. Todos esses problemas de infraestrutura encarecem a logística do País e diminuem a nossa competitividade. O Brasil precisa de um “40 anos em 4”, à la Juscelino Kubitschek, em matéria de infraestrutura, se quisermos chegar a algum lugar como potência. Toda obra pública, no período de sua realização, deveria ter uma análise do seu custo, benefício, qualidade e durabilidade no tempo, a fim de que se possa comprometer o gasto público. Também o problema da corrupção é um dos entraves. Esta sempre existirá, mas os níveis brasileiros ainda são extremamente elevados. Como bem disse um amigo, enquanto a corrupção serve como o óleo que azeita o desenvolvimento, entende-se como repugnante, mas aceitável. No entanto, quando ela age como cola que impede o desenvolvimento, ai se tem um problema gravíssimo. É preciso retirar o manto da hipocrisia que cerca determinados atos e agentes públicos para que se possam realinhar as expectativas da sociedade quanto ao Estado. Não adianta afirmar-se a moralização do Estado para determinados segmentos e ter este mesmo Estado basicamente buscando meios de extorquir, cada vez mais, encargos dos seus cidadãos e contribuintes, sem a devida contrapartida na prestação dos serviços. A função do Estado é estimular as pessoas a inovarem e produzirem e passarem o seu tempo em atividades produtivas e não buscando esconder as riquezas amealhadas. O País pode e deve crescer. Resta saber se qualquer dos candidatos terá a visão de futuro que é necessário para que, enfim, o Brasil alcance o futuro que merece, como grande nação e Estado. Os próximos 6 anos serão fundamentais. Se quem for eleito não tiver a visão correta das necessidades de investimentos profundos em infraestrutura, diminuição da máquina estatal e dos níveis de corrupção, uma janela de oportunidade que poucas vezes o universo conspira a favor será perdida. A hora é agora! |